What we do in the Shadows

what we do in the shadows

Em estilo mockumentary, este filme neo-zelandês retrata o dia a dia de um grupo de quatro vampiros que divide um apartamento em Wellington, capital da Nova Zelândia. Os conflitos gerados pelo convívio próximo e pelas dificuldades em se adaptar a um estilo de vida contemporâneo resultam em uma série de situações cômicas, em que os anacronismos de um gênero de terror originado no século dezenove são explorados com grande originalidade. Com a chegada de um novo membro à casa, um evento trágico força cada um a enfrentar o passado que os assombra.

What we do in the Shadows foi escrito, dirigido e estrelado pela dupla Jemaine Clement e Taika Waititi, virtualmente desconhecidos fora do universo anglófono, mas que já foram laureados com diversas premiações (inclusive uma nomeação ao Oscar). Este filme é uma paródia perfeita dos cada vez mais fúteis reality shows televisivos. Os personagens são caricatos: o dandy do século dezenove, o vampiro monstruoso inspirado no cinema expressionista alemão, o bad boy sedutor, apresentados em cenas de entrevista intercaladas com a trama principal. A mentalidade contemporânea é representada pelo vampiro novato Nick e seu amigo humano Stu, um programador de computadores. Stu, quieto e encabulado, é “adotado” pelos vampiros. Essa amizade improvável é fundamental para a trama e para a caracterização emocional dos personagens. Além dos vampiros, outros personagens clássicos de filmes de terror aparecem no filme, como lobisomens e bruxas. De várias maneiras, o universo destes seres das sombras imita a banalidade da sociedade em geral, criando paralelos inteligentes que enriquecem a narrativa. Leve, engraçada e com direção exemplar, esta comédia é um bem vindo sopro de originalidade a um dos primeiros gêneros abordados no cinema, e que nos últimos anos parecia já esgotado.

Por Henrique Fanini Leite

Gostou? Deixe seu comentário!