A Viagem de Chihiro

A Viagem de Chihiro talvez seja a mais bem sucedida animação japonesa de todos os tempos, mantendo há dezesseis anos o título de maior bilheteria da história do Japão. Na superfície, trata-se de uma história infantil, com lirismo e delicadeza típicos dos filmes de Hayao Miyazaki, o diretor. Num plano simbólico, no entanto, a obra contém fortes afirmações políticas, o que demanda um olhar atento por parte daqueles que desejam apreciá-la por completo.

Chihiro Ogino, uma garota de dez anos, está de mudança para uma nova cidade. Durante a viagem, seu pai erra o caminho e eles acabam em um parque de diversões abandonado. Os pais de Chihiro encontram um banquete servido em um restaurante deserto e começam a comer, mas Chihiro decide explorar o local. Em uma casa de banhos, ela encontra um garoto chamado Haku, que a aconselha a deixar o parque antes do por do sol. Tentando voltar, Chihiro encontra seus pais transformados em porcos. Agora presa no mundo dos espíritos, a menina precisa encontrar um meio de salvar seus pais e voltar ao mundo real.

A Viagem de Chihiro foi comparada a histórias como O Mágico de Oz e Alice no País das Maravilhas, mas, fora a existência de elementos fantásticos, não há muito que aproxime as obras. No uso do porco como figura simbólica – e na situação que faz com que os pais da heroína transformem-se no animal – já fica claro uma crítica à ganância e ao consumismo, tema que será explorado de forma ainda mais explícita pelo personagem Sem-Rosto. Miyazaki claramente associa estas características à influência ocidental: personagens maus, como a bruxa Yubaba, vestem-se à maneira europeia, por exemplo. Embora a compreensão de algumas das referências requira conhecimento do folclore japonês, a maestria visual e poética da obra já é motivação o bastante para assistir.

Por Henrique Fanini Leite

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