Três poemas de Amanda Vaz

A PARCELA

Aí vem o mundo e “bum”

quase acaba

mas você não acabou

ao contrário

tornou-se extraordinário

o vértice da totalidade

o suprassumo do ótimo

agora suponha que o sol

(do restauro do mundo)

subitamente

pulverize suas asas

ouse suas covardias

faça seu desejo de matar

virar meme

ainda que o mundo acabe

e o país brutalmente imploda

buscará a parte que lhe cabe

eis que a parcela é

em verdade

a coisa toda.

EU LÁPIS

TU CANETA VERMELHA

seus desenhos no nada

do meu qualquer-coisa

traçam a linha imaginária

no contorno do meus ossos

seus dedos vaidosos

a desenhar-me

maçãs mandíbulas

saboneteiras costelas

bacia cavidade pélvica

suas luzes reforçadas

e o sombreado do toque

no papel da pele

eu gosto

seu dedo a lápis

na tela branca das coxas

é ideal

até que as unhas ensaiam

apartar as asas da omoplata

diz você que o desenho é seu:

passa a impor cores.

é a hora que levanto

e não pretendo voltar.

DESPERTENCER

ser o assunto principal

de uma conversa fiada

ou o melhor guerrilheiro

de shangri-la

 

ser parte do futuro especial

de uma pessoa finada

ter a glória de ser o primeiro

a desistir de chegar

 

A grandiosidade

descontextualizada

faz estes pobres diabos

escolher o menos

feio:

a solidão de correr

atrás do próprio rabo

ou a sociabilidade

de cheirar o rabo

alheio.

 

 

1 Comentário

  1. josue costa teixeira fala: Responder

    bom os poemas de amanda vaz

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