Toc Toc

Vicente Villanueva é conhecido na Espanha por seus curtas, mas tem apenas três longas-metragens em quase vinte anos de carreira. Toc Toc, lançado em 2017, é sua obra mais recente. O filme é baseado em uma peça de teatro de mesmo nome, produzida na França, e é a primeira obra do diretor a fazer sucesso internacional.

Dr. Palomero é o maior especialista em transtorno obsessivo compulsivo da Espanha. Se não é capaz de curar todos os casos, certamente conseguirá melhorar a qualidade de vida de seus pacientes. Tão grande é sua fama que o tempo de espera para uma consulta ultrapassa um ano. Um erro no sistema do consultório faz com que a consulta de seis pacientes seja marcada para o mesmo horário. Pior: o vôo de Dr. Palomero atrasou, mas nenhum dos seis está disposto a abrir mão da consulta. Mais que a espera, o difícil será aguentar as obsessões dos outros pacientes.

Toc Toc é uma comédia despretensiosa, sem objetivos maiores do que proporcionar risadas e entretenimento. Ainda assim, a obra de Villanueva escapa da maioria dos lugares comuns dos besteiróis, encontrando um delicado equilíbrio entre explorar o lado cômico do TOC e retratar as dificuldades que ele causa. Há uma narrativa interessante, para além das piadas. Aqui, é claro, o filme não mergulha em grande dramaticidade, mas dá profundidade suficiente aos personagens para criar empatia. Jamais nos sentimos mal por dar risada de seus problemas. O bom entrosamento do elenco é fundamental nesse sentido. O elenco, aliás, é o ponto chave deste filme, que se passa quase que totalmente na sala de espera de um consultório. Talvez alguns se lembrarão de O Clube dos Cinco, justamente pela restrição de espaço e pela forma como os personagens são trabalhados. Soma-se ao humor afiado e ao roteiro bem costurado um final surpreendente, fazendo dessa comédia mais um destaque do excelente cinema espanhol das últimas décadas.

Por Henrique Fanini Leite

Gostou? Deixe seu comentário!