The Invitation

the invitation

Dirigido por Karyn Kusama e escrito por seu marido, Phil Hay, em conjunto com Matt Manfredi, The Invitation traz à memória filmes como Corra! e Coherence. Assim como nos dois, The Invitation é movido sobretudo pelos diálogos e a trilha sonora. O excelente trabalho de direção nos transmite com clareza as sensações do personagem principal, Will, conforme um insuspeito jantar de amigos torna-se perturbador.

A trama tem grande potencial dramático: após dois anos reclusa, a ex-esposa de Will, Eden, convoca todo o antigo círculo social do casal, inclusive ele, para um jantar na mesma casa em que moravam quando casados. Nessa mesma casa, o filho deles foi morto acidentalmente, razão pela qual se separaram. Apesar disso, o passado trágico dos dois serve mais como elemento do mistério do que como recurso emocional. Desde o princípio, fica claro que nem ele nem ela estão perfeitamente lúcidos, mas de formas distintas. Enquanto Will sofre com as lembranças que a casa evoca, tendendo a isolar-se para rememorar o passado, Eden é o extremo oposto: sempre sorridente e empolgada, parece ignorar o que aconteceu. É justamente esse comportamento que faz Will suspeitar da situação. No entanto, estando ele mesmo profundamente afetado, é difícil distinguir o que é paranoia do que é real.

Por se tratar de um enredo muito mais psicológico do que de ação, limitações na performance do elenco seriam desastrosas. Felizmente, as atuações de Logan Marshall-Green, como Will, e sobretudo Tammy Blanchard, como Eden, são precisas, retratando a situação emocional complexa dos personagens sem tornarem-se caricatos. The invitation possui também um roteiro inteligente, com pistas falsas o suficiente para que o momento em que tudo se encaixa seja genuinamente surpreendente. A partir daí, prepare-se para um final sanguinolento.

Por Henrique Fanini Leite

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