The Bomb

Bombas nucleares parecem uma relíquia da guerra fria. Sejam os treinamentos nas escolas ou a presença de alguma instalação secreta do governo, elementos relacionados ao tema são praxe em filmes ambientados nas décadas de cinquenta, sessenta e setenta. Dormente por muitos anos, a possibilidade de destruir-nos nós mesmos por dispositivos nucleares voltou à tona com a saída dos EUA do Tratado de Mísseis Balísticos de Alcance Intermediário, anunciada em Outubro de 2018. Nesse contexto, The Bomb, documentário de Kevin Ford, Smriti Keshari e Eric Schlosser é um lembrete poderoso sobre o imenso poder de fogo acumulado por algumas nações, e os riscos que isso traz à humanidade.

A obra é um documentário não-convencional, feito através da colagem de filmes documentais que abrangem o período de desenvolvimento e teste das armas nucleares, bem como imagens contemporâneas. As imagens não são acompanhadas de narração, apenas de uma trilha sonora de música eletrônica, composta pelo quarteto The Acid. Além da proximidade temática, a ordem dos vídeos problematiza os testes nucleares a proliferação destes dispositivos.

Se na justaposição de imagens e técnica narrativa The Bomb lembra os documentários Samsara e Baraka, de Ron Fricke, em ritmo e estilo, a obra está muito mais próxima de um clipe musical. A ausência de narrador força o espectador a apreciar o filme de forma mais estética e emotiva, longe das argumentos racionais tradicionais no gênero. O resultado é muito mais poderoso. Ao invés de aprendermos que deveríamos ter medo da bomba pelas razões “a” e “b”, a sequência de imagens torna essa ameaça evidente, sem necessidade de explanação. Saímos da experiência no mínimo conscientes da existência desse problema, provavelmente esquecido para a maioria de nós. A mensagem final, tão alarmista quanto verdadeira, é um chamado a ação. Não devíamos ignorá-lo.

Por Henrique Fanini Leite

Gostou? Deixe seu comentário!