Sylvia Plath

Hoje, a EMA fala de Sylvia Plath; poeta, romancista e contista norte-americana.

Oriunda de uma família de imigrantes austríaca e alemã, Sylvia nasceu em 27 de outubro de 1932 e aos 8 anos teve seu primeiro poema publicado na sessão infantil de um jornal da cidade de Boston. Coincidência, pero no mucho, o pai da poeta veio a falecer no mesmo ano e posteriormente tornou-se tema de uma de suas obras mais conhecidas, “O Colosso”.

Após formar-se na universidade em 1955, ela conseguiu uma bolsa em Cambrigde e se muda para a Inglaterra. Lá, conhece o também poeta Ted Hughes com quem se casa pouco tempo depois; o casal teve dois filhos mas separou-se em 1962. Após o divórcio, ela se muda para Londres e neste período, escreve seu único romance, “A Redoma de Vidro”.

Em 11 de fevereiro de 1963, aos 30 anos, Sylvia comete suicídio ao ingerir diversos medicamentos e deitar a cabeça dentro do forno deixado com vazamento de gás. Antes, teve o cuidado de abrir a janela do quarto dos filhos, mesmo com uma forte nevasca caindo, deixar um lanche ao lado da cama de cada um, trancar a porta e vedá-la com toalhas para impedir a passagem de gás. Foi encontrada na manhã seguinte por uma enfermeira que ela mesma havia contratado.

A escritora já havia tentado o suicídio antes, ainda durante a faculdade e chegou a ficar internada durante um período; a depressão, companheira constante, fazia com que os sentimentos servissem como lente para ver questões de sua vida, transformada em belos poemas que abordavam a questão do tempo, escolhas e refletia ainda, muito de sua vida pessoal.

Por isso o interesse na vida particular de Sylvia é tão grande. Suas obras são referências ao que se passa com ela; não por acaso, 62, ano de seu divórcio, apresentou grande aumento em sua produção. As lembranças do pai e o relacionamento com Ted são temas recorrentes não só de poemas como em seu diário, que ela mantinha desde os onze anos, além de diversas cartas. A condição da mulher nos início da década de 60, antes do movimento feminista, também pode ser vista em sua obra.

Após sua morte, todo o material de Sylvia ficou sob a posse de Ted Hughes. Sobre o livro “Ariel”, publicado postumamente, ele foi acusado de não respeitar a ordem dos poemas como ela os havia deixado e retirar alguns que faziam menções negativas a ele. Além disso, não publicou seu diário até 1998, justificando preservar os filhos do casal. Mas o fascínio sobre Sylvia não diminuiu, ao contrário, em 2015 foi lançada uma nova biografia e ainda neste ano será publicada uma obra com cartas que a autora trocou com sua terapeuta.

Tanto interesse em diários, cartas e material parece refletir uma vã tentativa em entender e procurar motivos em uma mulher que retratou sofrimento, angústia, recordações. Não adianta. Sua obra continua a incomodar.

OS MANEQUINS DE MUNIQUE

A perfeição é horrível, ela não pode ter filhos.
Fria como o hálito da neve, ela tapa o útero

Onde os teixos inflam como hidras,
A árvore da vida e a árvore da vida.

Desprendendo suas luas, mês após mês,
sem nenhum objetivo.

O jorro de sangue é o jorro do amor,
O sacrifício absoluto.

Quer dizer: mais nenhum ídolo, só eu
Eu e você.

Assim, com sua beleza sulfúrica, com seus
sorrisos

Esses manequins se inclinam esta noite
Em Munique, necrotério entre Roma e Paris,

Nus e carecas em seus casacos de pele,
Pirulitos de laranja com hastes de prata

Insuportáveis, sem cérebro.
A neve pinga seus pedaços de escuridão.

Ninguém por perto. Nos hotéis
Mãos vão abrir portas e deixar

Sapatos no chão para uma mão de graxa
Onde dedos largos vão entrar amanhã.

Ah, essas domésticas janelas,
As rendinhas de bebê, as folhas verdes de confeito,

Os alemães dormindo, espessos, no seu insondável desprezo.
E nos ganchos, os telefones pretos

Cintilando
Cintilando e digerindo

A mudez. A neve não tem voz

 

 

Mariana B. Cavariani

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