Sunshine

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Cinquenta anos no futuro, o Sol começou a morrer. O planeta esfriou, são poucas as regiões em que agricultura ainda é possível. A vida na Terra deixará de existir em poucos anos se a Icarus II não cumprir sua missão: transportar até o Sol uma bomba nuclear do tamanho da ilha de Manhattan. Esta é a realidade do físico prodígio Capa minutos antes de a espaçonave entrar na zona de silêncio, dentro da qual a comunicação com a Terra é impossível. Dadas as circunstâncias épicas, é até estranho o tom mundano da mensagem de despedida que o físico envia a seus pais. Ninguém sabe o que ocorreu com a Icarus I, que já estava dentro da zona de silêncio antes da eventual falha que acarretou o fracasso da missão. Apesar disso, Capa se despede em tom positivo: não havendo acidentes, a nave deve retornar à Terra dentro de alguns anos. Quando a tripulação encontra a Icarus I perdida em órbita, uma série de decisões erradas torna esta perspectiva cada vez mais improvável.

Sunshine é uma obra relativamente desconhecida de Danny Boyle, sobretudo quando comparada a Trainspotting ou Quem Quer Ser um Milionário?, mas não é de maneira alguma inferior. O filme lembra uma versão de ficção científica do clássico alemão Das Boot, com a mesma atmosfera claustrofóbica e fatídica, em que a possibilidade cada vez mais real da morte faz as máscaras caírem uma a uma. Em contraste com o ambiente sujo e escuro de um submarino, no entanto, a Icarus II é visualmente limpa, quase estéril. Os elementos de tensão são outros, psicológicos, em muito ajudados por uma trilha sonora excelente. O diretor aproveita as possibilidades cinematográficas do gênero em diversas cenas de planetas, do Sol e da espaçonave, com matizes saturadas – quase como pinturas. Soma-se a isso um elenco internacional pouco conhecido mas de ótima qualidade, resultando num dos filmes de ficção científica mais assustadores das últimas décadas.

Por Henrique Fanini Leite

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