Solaris

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Baseada no romance homônimo de Stanislaw Lem, Solaris narra a missão do psicólogo Kim Kelvin, que é mandado para uma estação espacial que orbita o planeta Solaris. A tripulação vinha relatando alucinações e crises emocionais. Pouco tempo após sua chegada, Kelvin começa a apresentar os mesmo sintomas, relacionados de alguma forma com o planeta abaixo.

Solaris é considerado um dos maiores filmes de ficção científica de todos os tempos. É cinema Russo/Soviético em sua melhor forma, com longas tomadas, diálogos filosóficos e elementos fantásticos usados para relatar ideias complexas a respeito de culpa, solidão e comunicação em geral. Uma das principais motivações do diretor Andrei Tarkovski era dar maior profundidade intelectual e artística aos filmes de ficção científica, gênero que considerava leviano. Nisso, poucos poderiam ter feito um trabalho melhor. Todo o mise-en-scene da cena final, por exemplo, é inspirado em “O Retorno do Filho Pródigo”, quadro de Rembrandt. Essa é apenas uma das muitas referências contidas no filme.

Desafiador mas envolvente, Solaris não se restringe às características tradicionais do gênero, usando a atmosfera futurística para extrapolar dilemas existenciais que sempre acompanharam o homem. Um dos temas principais – a escolha entre uma vida ideal, mas ilusória, ou a realidade angustiante – seria depois abordado por filmes como Matrix e Inception, mas a comparação é injusta: em Solaris a questão é apresentada com muito mais seriedade, sem maniqueísmos simplificantes. Não há bem ou mal, não há certo e errado, muitas perguntas, nenhuma resposta.

Por Henrique Fanini Leite

2 Comentários

  1. Elieder fala: Responder

    Ótimo seu comentário crítico.

  2. […] como Solaris, também de Tarkovski, Stalker pode parecer demasiadamente lento para uma audiência acostumada com […]

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