Snatch

Certamente uma das características mais marcantes de Snatch são os personagens caricatos. A começar com Mickey O’neal, o cigano irlandês interpretado por Brad Pitt, passando por nomes como Frank Quatro Dedos ou Tony Dente de Bala, praticamente todos são uma versão exagerada de algum estereótipo. Isso, é claro, não se deve à inaptidão do diretor/roteirista Guy Ritchie, mas é elemento fundamental para esta sátira de filmes de assalto. Seu estilo grotesco e exagerado é arriscado, mas triunfa sobretudo devido às atuações de um elenco de altíssimo nível.

A trama de Snatch apresenta diversas ramificações e reviravoltas, reflexo da ausência de um único personagem dominante. Existem duas linhas narrativas principais. A primeira trata do paradeiro de um diamante gigantesco e as inúmeras tentativas de roubá-lo de quem quer que o possua no momento (ele troca de mãos diversas vezes). A segunda é focada no promotor de jogos de boxe Turco, que acaba fazendo um chefão do crime perder muito dinheiro quando o lutador que ele contratou não fingiu um nocaute no quarto round, como fora combinado. As duas narrativas convergem num final surpreendente, típico de filmes desse gênero.

Ritchie foi criticado pelas semelhanças entre Snatch e seu filme anterior, Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, o que não impediu que a obra ganhasse status cult e fosse um sucesso de bilheteria. Seu estilo visual e humor irônico, as vezes ultrajante, são propensos a dividir opiniões. Gostando ou odiando, é difícil ficar indiferente.

Por Henrique Fanini Leite

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