Sleepwalk With Me

Sleepwalk With Me, é um conjunto de obras autobiográficas: já foi peça de teatro, já foi livro e em 2012 ressuscitou como longa-metragem. Mike Birbiglia, o homem por trás de todas as versões, faz as vezes de ator principal e diretor em uma produção de apenas oitenta minutos. Infelizmente a obra não tem distribuidor oficial no Brasil, acessível apenas pela internet.

Matt Pandamiglio é um comediante frustrado que trabalha como barman em uma casa de comédia stand up. Segundo ele próprio, parece que a melhor coisa a seu respeito é sua namorada. E, de fato, a namorada, Abby, é uma pessoa maravilhosa. Os dois estão juntos há oito anos; se fala em casamento; se espera um casamento. Teme-se um casamento? No caso de Matt, melhor nem pensar. Afinal, quando sob estresse, o comediante tem o perigoso costume de pular de lugares altos enquanto dorme.

Sleepwalk With Me é um filme indie até as últimas consequências, seja na bela mistura de melancolia e comédia, seja nas metáforas horripilantes (a pior de todas: “O amor é uma pilha de sorvete sabor pizza e… ilusão”). Se em alguns aspectos Birbiglia mostra-se alinhado demais com o estilo, oferece também um retrato excelente de um dos principais arquétipos contemporâneos: o homem que, sob um manto de docilidade e indecisão, esconde um egoísmo covarde – do qual talvez não tenha consciência. Sendo ele próprio o narrador, a obra é extremamente indulgente com o personagem. A coerência pouco faz para atenuar a raiva daqueles que percebem a hipocrisia.  Ao mesmo tempo, a personagem feminina é ao mesmo tempo idealizada e passiva, deixando-se à mercê da insegurança do namorado. Há quem veja no clichê uma certa dose de machismo. O ponto de vista é justificado, mas é também inegável que relacionamentos desse tipo são comuns – o filme simplesmente os retrata como são. Para muitos um filme doce e engraçado, Sleepwalk With Me é também capaz de despertar raiva e tristeza, testemunha da vastidão dos temas que aborda.

Por Henrique Fanini Leite

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