Sicario

O diretor Denis Villeneuve vem emplacando sucessos de crítica e bilheteria nos últimos anos. Seus dois filmes mais recentes, Blade Runner 2049 e A Chegada, ultrapassaram a marca dos 200 milhões em bilheteria, ao mesmo tempo em que receberam diversas nominações ao Oscar. Sicario, de 2015, é uma obra um pouco menos conhecida, mas que também combina qualidade artística com acessibilidade.

Após uma desastrosa tentativa de invasão a uma casa dominada por um cartel mexicano, a agente Kate Macer é recrutada pelo departamento de justiça para integrar uma força tarefa. Oficialmente, o grupo é liderado por integrantes do departamento de defesa e tem como objetivo prender Manuel Diaz, líder do cartel de Sonora nos Estados Unidos. Agora envolvida com a Guerra às Drogas, Kate sentirá na pele as palavras de Ésquilo: na guerra, a verdade é a primeira baixa.

Nos primeiros minutos de filme, Sicario pode parecer um Thriller qualquer: Kate participa de uma operação em que dois agentes perdem a vida. Logo em seguida, surge uma nova missão envolta em mistério, mas que ela aceita para ter a oportunidade de vingar os companheiros. Os acontecimentos, no entanto, evoluem de maneira muito diversa. Kate torna-se um peão de um jogo muito mais complexo, suas ações manipuladas em prol de um “bem maior” duvidoso. Por mais que a protagonista relute, acaba refém das próprias escolhas e motivações, participando uma série de ações à margem da lei, mas com total apoio das autoridades. Através do sofrimento e dilemas morais da protagonista, Villeneuve nos mostra como aqueles cuja tarefa deveria ser proteger a vida e a lei tratam ambas com descaso. Pouco a pouco, começamos a questionar quem, de fato, são os vilões.

Por Henrique Fanini Leite

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