refluxo de mulher-máquina.

desabrocha em máquina

sentinela do meu desejo

rompa os cabos

dessa aliança elétrica

que te leva a não ser

a cadela que late na frente da tela

que desaparece teu rosto

exposto osso

dentro do hardware

que processa nossos gemidos

tão agudo ruído embalando os ventríloquos

que simulam nossas palavras

segredos cifrados em notas erráticas

me mostra o começo do fio que iniciam teus sexos-sentidos

que conduz essa saliva para dentro da minha lágrima

ácida acalma

as alcalinas

nas pálpebras

que tremem em cada contato com essa luz fria

estamos em um laboratório?

ratas vítreas esperando os comprimidos na ponta da língua

fomos traídas? ou apenas nos enganamos de endereço?

todo sítio será destruído com o deletar

das digitais espremidas

aqui.

Cali Ossani é uma ficção produzindo narrativas e anti-narrativas nas áreas da performance, teatro, artes visuais e escrita literária. Investiga o hibridismo das linguagens artísticas e a diluição das fronteiras nos territórios de gênero e sexualidade, sendo esta uma prática artística, política e pessoal. Formou-se em Artes Cênicas pela Faculdade de Artes do Paraná e desde então aliou-se a vários coletivos artísticos da cidade de Curitiba, como a Companhia de Investigação Cênica Heliogábalus e a Coletiva Batalha Histérica de Levante. 

Atualmente, é membra fundadora e artista residente da Casa Selvática, desenvolvendo trabalhos junto a este coletivo e alguns solos. 

Arte: Frank Kelly Freas

Gostou? Deixe seu comentário!