Quer Morrer?

quer morrer

Bêbado. Ri de nossa vidinha sórdida. Olhos apertados, passos duvidosos gravitando sob o concerto de buzinas e gritos. Os carros são obrigados a acompanhar a coreografia. Ele tropeça, pedra no meio do caminho, levanta num giro, aponta para mim, para você! Tentativas de interromper o fluxo, se dar importância. Uma tragédia?! Acharia conveniente que fosse atropelado sentido ladeira abaixo, veículo de grande porte. Arrastado por alguns metros, exibindo no asfalto suas cores internas, horário de pico tudo parado! Chocados, nós aqui da primeira fileira e o rapaz na varanda, camarote de gala, todos bateríamos palmas: Gran finale! O bailarino para um carro que subia, chega enfim ao outro lado, desaba pelo mato rompendo expectativas. Fim do espetáculo.

Por Natasha Tinet

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