Quatro Leões

Quatro Leões é uma sátira inclemente a respeito de atentados suicidas. Rendeu ao diretor, Chris Morris, o BAFTA de “Outstanding Debut” por se tratar de seu primeiro longa-metragem (embora Morris já tenha longa história na indústria cinematográfica britânica). Devido à temática, era de se esperar que despertasse um ninho de vespas, o que não ocorreu. Quem sabe seja esse o melhor testemunho em favor da principal qualidade desta obra: ser capaz de vislumbrar o paradoxo fundamental entre a humanidade dos personagens e seus desejos assassinos.

O enredo é simples: um grupo de jovens muçulmanos britânicos planeja realizar um atentado suicida. Nisso, são liderados por Omar, cuja vida pessoal parece tão normal como a de qualquer outra pessoa. Barry, por outro lado, é o mais radical – e o único branco. Os outros não parecem estar conscientes da tarefa que os aguarda. Quando se dão conta do que estão prestes a fazer, pode ser tarde demais.

Ao contrário de outros filmes que tratam de terrorismo, Quatro Leões não cede um milímetro a suposta solenidade ou significância de atentados suicidas. Fora um ou outro comentário sobre “imperialismo ocidental” ou “a sociedade de consumo”, nada se apresenta como justificativa. Contrasta com isso a plácida convicção não apenas de Omar, mas de sua esposa e seu filho. Aceitam tranquilamente que o esposo/pai irá explodir a si próprio em um futuro próximo, como se fosse mudar de emprego ou comprar alguma coisa no mercado. Omar, sendo o único personagem não estereotipado, é o que faz essa comédia ir além do trivial. Sentimos empatia por ele. Chegamos a desejar seu sucesso. Quando chega o desfecho, no entanto, o sorriso murcha, substituído por uma perplexidade incisiva.

Por Henrique Fanini Leite

1 Comentário

  1. Esse filme é ótimo. Muito bom.

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