Quatro Casamentos e Um Funeral

Existem momentos em que tudo o que queremos é relaxar em um sofá e nos distrairmos. Quatro Casamentos e um Funeral é um dos melhores filmes para estas ocasiões. A produção mantém há vinte e quatro anos o título de maior bilheteria do cinema do Reino Unido, sendo também responsável por lançar Hugh Grant ao estrelato internacional. O ator praticamente repetiria o papel em Um Lugar Chamado Notting Hill e Mickey Blue Eyes.

O filme, como sugere o título, retrata as atividades de um grupo de amigos solteiros em quatro casamentos e um funeral. O foco é em Charlie, um homem benquisto e bondoso, mas cuja cabeça de vento muitas vezes o coloca em situações inconvenientes. No primeiro casamento, Charlie conhece Carrie, por quem se apaixona. A narrativa segue a linha clássica das comédias românticas, com vários inconvenientes dificultando a união do casal, culminando em uma grande prova de amor.

Não há palavra em português que descreva esse filme tão bem quanto o termo inglês “frothy”. Em uma tradução literal, a palavra significa espumoso, mas é utilizada para descrever obras rasas, sem substância, feito espuma. De fato, Quatro Casamentos e Um Funeral não apresenta nenhuma reflexão, nenhuma audácia e pouquíssimo conteúdo. No entanto, são raras as obras que conseguem ser bobas com tanta consistência: as piadas são genuinamente engraçadas e de bom gosto, os personagens são bem interpretados, o roteiro abusa dos clichês, mas que servem feito chinelo velho (já que estamos falando de clichês…). Lançado em 1994, o filme envelheceu bem, mas traz um contraste interessante na maneira como retrata dois dos amigos, que formam um casal gay. A relação é óbvia desde o começo, mas nas duas horas de filme há apenas uma alusão direta ao relacionamento. Eles são tratados por todos como “amigos muito próximos,” refletindo a atitude predominante na sociedade da época.

Por Henrique Fanini Leite

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