Pusher

Embora pouco conhecido fora de seu país de origem, Pusher foi um filme fundamental para o cinema dinamarquês. Foi o longa metragem de estreia de dois dos mais famosos artistas da sétima arte no país, o diretor Nicolas Refn e o ator Mads Mikkelsen, que atingiria o estrelato mundial como o vilão de James Bond: Cassino Royale. O filme deu origem a uma trilogia, além de remakes na Índia e no Reino Unido.

Pusher acompanha alguns dias na vida de um traficante de rua, Frank, e de seu parceiro Tonny, conforme percorrem Copenhagen. Frank está endividado com seu fornecedor sérvio, Milo, mas quando um antigo conhecido da prisão lhe oferece um negócio de volume, consegue convencer Milo a lhe entregar um grande carregamento de heroína. A partir daí, uma série de imprevistos colocam Frank à beira do abismo.

Embora muitos filmes sejam capazes de contornar limitações orçamentárias com soluções criativas, Pusher foi prejudicado pelas estritas leis trabalhistas dinamarquesas, que não permitiam mais de oito horas diárias de filmagens, também proibidas durante finais de semana. Toda a fotografia se deu com câmeras de mão, decisão ousada que, combinada com as limitações de tempo e dinheiro, confere a obra um ar de documentário amador. Esse estilo quase acidental combina com as ambientações urbanas em que se passa a trama, rendendo comparações a Jean-Luc Godard e Martin Scorsese. O ator Kim Bodnia foi escalado de última hora para interpretar o personagem principal. Sua atuação enérgica é um dos pontos altos da obra. Conforme a situação de Frank torna-se desesperadora, o ator consegue revelar nuances emotivas por trás das atitudes rudes do personagem. Nicolas Refn não procura justificar as ações do protagonista para além de necessidades imediatas e também não espera nossa simpatia para com ele – o objetivo desse retrato é, pelo contrário, mostrar como muitas vezes acabamos presos em gaiolas de nossa própria construção.

Por Henrique Fanini Leite

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