Ouro Sol TV

Acendi a televisão e disse para a criança – vou sair // fica aqui // daqui a pouco eu volto. Peguei a espingarda e liguei o carro. Conseguia escutar as sereias afogadas na areia, com saudade de algo maior do que o mar, me pedirem para também ficar. Ouro, eu tinha a febre do ouro, do dinheiro. Não aguentava mais apenas pagar as contas. Estacionei o carro na porta do banco. Engatilhei a espingarda. Entrei e todo mundo estava rindo. Come on, não existe mais dinheiro aqui… Come on… Não temos nem cofre. Com as mãos suadas abri a porta do banco e cruzo com um policial, ele de mãos vazias, não dei tempo para sacar. Atirei no peito e uma rosa mística brilha avulsa saindo pelo distintivo furado. Queria entrar pelo furo e viver em outro lugar, queria entrar em uma dimensão e sair noutra, queria entrar pelo furo e sair numa praia sem nunca mais ter que precisar pensar em dinheiro // entrei no carro. O sol me dizia com sua cara de criança “Deverias me achar bonito! É um belo dia esse!” O céu azul e sem nuvens prometia acima da calçada o paraíso e a calma // o paraíso e a calma. Cheguei em casa e a criança estava de frente para TV — como a deixei.

 


Pode escrever que eu sou um esquizofrênico, um fraco, uma bicha louca, filho de uma puta.

Foi essa a minibiografia concedida por Alexander Cripple para acompanhar este conto. Tomamos a liberdade de indicar seu blog, de onde tiramos o texto. Não acreditamos em Alexander Cripple. Acreditamos em sua escrita.

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