Os Sete Samurais

os sete samurais

Possivelmente o mais aclamado dos trinta filmes de Akira Kurosawa, Os Sete Samurais influenciou praticamente toda a produção cinematográfica subsequente. A narrativa básica do filme – a reunião de uma equipe de heróis forasteiros para realizar determinada tarefa – pode hoje ser encontrada em filmes tão distintos quanto Bastardos Inglórios e Vida de Inseto. O filme exibe uma combinação rara de profundidade emocional com entretenimento leve, o que se deve sobretudo aos personagens muito bem desenvolvidos, ainda que um pouco caricatos. Além disso, introduziu diversas inovações, tanto técnicas como temáticas. Em especial, a obra revigorou o jidaigeki, tipo tradicional de filmes históricos situados no Japão medieval, ao adicionar aspectos de drama social, filosofia, realismo e até mesmo comédia ao gênero.

Nas proximidades de um vilarejo pobre, um fazendeiro escuta um grupo de bandidos planejando um assalto. Os malfeitores decidem atacar logo após a colheita do arroz, já que antes disso pouco haveria para roubar. Os habitantes consultam Gisaku, o ancião, que recomenda que sejam contratados ronin (samurais sem mestre). Paupérrimos, a única coisa que podem oferecer é comida, mas o caminho deles cruza com o de Kambei, personagem muito próximo do arquétipo do herói. Numa cena memorável, o samurai é apresentado ao público disfarçando-se de monge, o que ele faz com o intuito de resgatar uma criança sequestrada. Os aldeões conseguem convencer Kambei a protegê-los em troca de porções de arroz, e o herói recruta uma equipe de cinco outros samurais de diversas origens, sendo também acompanhados por Kikuchiyo, um camponês que se considera samurai. Apesar da desconfiança com que são recebidos, aos poucos criam-se laços entre aldeões e samurais, aproximando dois mundos que não poderiam ser mais distintos.

Por Henrique Fanini Leite

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