Os Olhos de Julia

Nenhum diretor trabalha sozinho e, conforme crescem na carreira, também aumenta o renome daqueles que compõem sua equipe. Os Olhos de Julia traz uma combinação imcomum de um roteirista pouco conhecido, Oriol Paulo, e um diretor estreante, Guillem Morales, com a produção de uma personalidade do cinema, Guillermo del Toro. Se a honra de ter o famoso diretor mexicano como produtor condecora obras duvidosas, como Pacific Rim:Uprising, em Os olhos de Julia, Del Toro acertou: o filme é muito bom.

O enredo gira em torno de uma trama clássica de suspense, em que a doença da protagonista – um processo degenerativo que lhe faz perder a visão – serve como ponto central. Atormentada por um pressentimento, Julia resolve visitar a irmã, com quem não falava há algum tempo, apenas para encontrá-la morta. Embora todas as evidências apontem para suicídio, algo impede Julia de acreditar na história. Conforme o estresse faz sua visão piorar, Julia perceberá que algumas coisas não podem ser vistas com os olhos.

Os Olhos de Julia é um ótimo exemplo de como uma combinação de performances sólidas por parte de atores, diretor e equipe técnica conseguem fazer um projeto sem grandes destaques ganhar vida. O roteiro é bom, com os esperados plot twists e uma trama crível, até certo ponto. No entanto, não há aqui material para projetos ambiciosos. Ainda assim, uma atuação carismática de Belén Rueda e uma direção precisa de Morales conseguem explorar o potencial da obra até o limite. O destaque é o mise em cene, calculado para nos manter na perspectiva limitada da visão de Julia. A obra chega a lembrar o suspense de Hitchcock, misturado, talvez, com um certo drama latino.

Por Henrique Fanini Leite

Gostou? Deixe seu comentário!