Os Oito Odiados

Com quase três horas de duração, Os Oito Odiados é a segunda abordagem de Quentin Tarantino ao tema do Velho Oeste. O filme foi bem recebido por público e crítica, vencendo o Oscar de melhor trilha sonora. Embora bem ancorado nas tradições do gênero, é notável pelo espaço restrito em que ocorre boa parte de ação, tendo sido comparado a uma peça de teatro por parte da crítica especializada.

Algum tempo após a guerra civil americana, o caçador de recompensas Marquis Warren tenta retornar ao vilarejo de Red Rock. No caminho, encontra outro caçador, o sádico John Ruth, que transporta uma prisioneira viva, Daisy Domergue. As condições climáticas forçam os viajantes a se abrigarem em um albergue de estrada, onde também estão outros personagens igualmente violentos. Incapazes de confiar uns nos outros, não demora muito até que se utilizem das pistolas para reconciliar as diferenças.

Como bem observado pelo crítico Jermaine Spradley, quem sabe a principal façanha de Tarantino seja mostrar que é possível se entreter e se ofender ao mesmo tempo. Embora bem avaliados pela crítica, seus dois filmes anteriores, Django Livre e Bastardos Inglórios, abordam dois dos capítulos mais trágicos da história com um simplismo vergonhoso. Assim, Os Oito Odiados representa um bem-vindo retorno aos temas inócuos, em que a infantilidade de Tarantino deixa de ser relevante e podemos apreciar seu enorme talento para o diálogo, o pastiche e a construção de tensão dramática. Aqui, não há novidades: Os Oito Odiados é uma colagem de referências combinada com violência extrema, estilo típico do diretor. Um filme sobre filmes, de certa forma, mesmo que original e envolvente por si próprio. Outro destaque é a trilha sonora. Passados trinta e quatro anos desde a última vez em que compôs uma trilha de Velho Oeste, o veterano do western spaghetti Ennio Morricone é prova de que certas coisas só melhoram com o tempo.

Por Henrique Fanini Leite

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