Oeste Sem Lei

É surpreendente imaginar que o mundo sem lei retratado nos filmes de faroeste era contemporâneo à puritana e romântica era vitoriana na Europa. Oeste Sem Lei, filme de estreia do diretor escocês John Maclean, se aproveita deste improvável sincronismo para contrastar as mentalidades do velho e novo mundo. Recebido com entusiasmo no festival de Sundance, a obra foi lançada simultaneamente nos cinemas e no serviço de streaming Netflix.

O filme narra a história de Jay Cavendish, um garoto escocês que viajou aos Estados Unidos em busca de sua amada, Rose Ross, que, segundo ele, teve que deixar a Escócia por sua culpa. Sem a experiência de vida e a malandragem dos habitantes locais, Jay seria presa fácil de bandidos, ladrões ou selvagens, não fosse por Silas Selleck, um fora da lei que cruza seu caminho por acaso. Um pouco relutante, Jay contrata Silas como guia e protetor. Cenas da jornada do garoto são intercaladas com flashbacks, em que são narrados os eventos que o levaram a partir. Ao pararem em uma estação de posta, Silas descobre que eles não são os únicos procurando por Rose.

Com apenas oitenta e três minutos e um ritmo lento (conforme sugere seu título original, Slow West), Oeste Sem Lei apresenta um incrível poder de síntese. Maclean é capaz de construir a atmosfera das cenas com um simples close em um objeto, economizando também nos diálogos. Ainda assim, tomadas silenciosas das vastas paisagens desertas não faltam. A justaposição das mentalidades vitoriana e do Novo Mundo é apenas uma das ambiguidades da obra. Contrasta-se o velho e o novo, a inocência e a experiência, a cultura e a natureza. Cenas cômicas sucedem cenas impactantes em questão de segundos. Nesse sentido, a influência dos irmãos Cohen é evidente (fargo é um bom exemplo). O final, por sua vez, foge as convenções e, justamente por isso, não poderia ser mais verdadeiro.

Por Henrique Fanini Leite

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