O Tigre e o Dragão

Mais do que os aplausos em pé no festival de Cannes, a maior prova da qualidade de O Tigre e O Dragão é ter feito pelo menos seis milhões de americanos preguiçosos assistirem a um filme legendado. O filme arrecadou um total de cento e vinte e oito milhões de dólares no mercado americano – recorde até hoje não alcançado por outra produção estrangeira. Brincadeiras a parte, a obra de Ang Lee trouxe uma faceta lírica ao normalmente raso gênero de filmes de artes marciais, alçando o estilo wuxia ao mainstream.

Escondido sob uma trama clássica de mocinho e bandido, O Tigre e o Dragão aborda temas como honra, vingança, amor e conflitos intergeracionais. Após anos em um retiro espiritual, o grande mestre Mu Bai decide se aposentar. Para isso, pretende devolver sua lendária espada, a “Destino Verde”, para Beijing. Mu Bai é secretamente apaixonado por Shi Lien, uma exímia lutadora, mas nunca revelou seus sentimentos. Quando a espada é roubada, os dois enfrentarão antigos inimigos para recuperá-la.

Quase todo comentário sobre O Tigre e O Dragão trata do sucesso desse filme no ocidente como algo surpreendente. De fato, nem mesmo os mais otimistas imaginariam um sucesso de bilheteria dessa escala, mas não se engane: desde o início esse filme visava as plateias ocidentais. Apesar do diálogo em mandarim e de boa parte do elenco e da equipe técnica ter origem asiática, incluindo o diretor, muitos deles já tinham experiência no mercado americano. Ang Lee já havia feito seu primeiro longa em língua inglesa em 1995, com Razão e Sensibilidade. As coreografias de luta são assinadas por Yuen Woo-Ping, que já havia trabalhado em Matrix. Chow Yun-Fat, que interpreta Mu Bai, é figura conhecida dos filmes de John Woo, enquanto Michelle Yeoh, que já havia estrelado em 007 – O Amanhã Nunca Morre, interpreta Shi Lien. Isso, é claro, não diminui em nada os méritos desse filme, dos quais destaco a fotografia magnífica, em especial das cenas de luta, e a qualidade das atuações, capazes de dar profundidade dramática a um filme predominantemente de ação.

Por Henrique Fanini Leite

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