O Samurai

Alain Delon no Metro

O Samurai, dirigido por Jean Pierre Melville, é considerado um dos precursores da nouvelle vague francesa. É um título frequente entre listas de “Os melhores filmes de todos os tempos,” mas pode ser enfadonho para aqueles procurando um filme policial mais aos moldes contemporâneos. Tem grande valor histórico, não só pelo efeito que causou no cinema, mas por retratar nos cenários e figurinos a estética europeia dos anos sessenta.

Jeff Costelo, um assassino de aluguel, é extremamente metódico no cumprimento de suas missões. Apesar disso, acaba sendo visto por diversas testemunhas após o assassinato de um dono de uma boate em Paris. Dentre elas está Valéry, uma pianista que o viu instantes após o disparo. Apesar disso, ela se recusa a identificá-lo na delegacia. Por hora livre da cadeia – mas não da polícia -, Jeff terá que enfrentar um inimigo ainda mais perigoso: as próprias pessoas que o contrataram.

O estilo da obra é claramente ancorado no noir, com diálogos esparsos e ambientações escuras e com predominância de cores frias. Muitas das cenas foram filmadas nos subúrbios de paris, longe do glamour normalmente associado com a cidade. Jeff Costelo, interpretado por Alain Delon, serviu de inspiração para diversos “tipos” similares, dos quais destaca-se o motorista interpretado por Ryan Gosling na produção independente Drive. Em O Samurai, Delon faz juz a fama, com uma interpretação elegante, quase sedutora, em que a intensidade de olhares e expressões precisam transmitir aquilo que falta aos diálogos lacônicos. Outro papel interessante é o do comissário de polícia, interpretado por François Périer, que não se deixa enquadrar propriamente como antagonista, mantendo uma ambiguidade de caráter que é crucial para o desfecho. Numa nota um pouco mais pessoal, é impressionante a beleza dos modelos de automóvel utilizados nesta obra, verdadeiros clássicos da indústria. Assim, nem que seja pelos carros, vale a pena assistir.

Por Henrique Fanini Leite

Gostou? Deixe seu comentário!