O Rei da Comédia

o rei da comedia

Martin Scorsese e Robert De Niro colaboraram em oito longa metragens até hoje, alguns dos quais tornaram-se grandes clássicos. Em meio a obras como Mean Streets e Goodfellas, filmes que exploram a aptidão de De Niro em interpretar papéis violentos, O Rei da Comédia pode parecer um ponto fora da curva. De fato, esta comédia perturbadora não foi tão bem recebida como alguns dos sucessos anteriores da dupla. Ainda assim, O Rei da Comédia é uma obra excepcionalmente original, cuja relevância só cresceu com o passar do tempo.

Robert Pumpkin é um colecionador de autógrafos obstinado, cujo sonho é tornar-se um comediante de televisão. Após um encontro com Jerry Langford, um apresentador de talk shows famoso, Pumpkin acredita ter finalmente encontrado sua chance. No entanto, conforme falham repetidas tentativas de entrar em contato com Langford, sua natureza violenta e delirante começa a aflorar.

Apesar de nominalmente uma comédia, Scorsese provavelmente tinha no humor a menor de suas preocupações. Robert Pumpkin é um personagem incômodo e inconveniente – maluco sob certos aspectos, mas que representa um arquétipo interessante da obsessão pela fama. É muito difícil simpatizar com ele, o que pode ter contribuído para a recepção negativa do público. A atuação de De Niro é magistral, com estilo e trejeitos característicos, mas capaz de dar a este personagem traços muito distintos de seus papéis mais conhecidos. Sua comparsa, Masha, interpretada por Sandra Bernhard, é mais engraçada, ainda que mais estereotipada (como quase todos os personagens cômicos). A obra apresenta uma visão cínica da cultura de massa e sobretudo do fenômeno do culto à personalidade, explorando as consequências (ou ausência delas) da busca pela fama a qualquer custo. O final, surpreendente e ambíguo, é do tipo que perdura na memória por dias. Nessa comédia, risadas são poucas, mas carregadas de significado.

Por Henrique Fanini Leite

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