O Pescador de Ilusões

Depois do fracasso comercial de As Aventuras do Barão Munchausen, Terry Gillian precisou mudar de estratégia. O resultado foi O Pescador de Ilusões, uma das obras mais despretensiosas de Gillian. O filme rendeu um Leão de Prata no Festival de Veneza e o Oscar de melhor atriz coadjuvante para Mercedes Ruehl.

O enredo mistura elementos de comédia com romance e fantasia, reminiscente de filmes “natalinos”. Jack Lucas é um radialista egocêntrico cujo programa consiste em ofender, insultar e incitar violência aos ouvintes que ligam para a rádio. Um dia, alguém acata suas sugestões e abre fogo em um bar. Alguns anos depois, Jack encontra uma das vítimas do atentado, um mendigo chamado Parry. Jack fará o possível para unir Parry com sua amada, Lydia e, talvez, assim encontrar redenção.

O Pescador de Ilusões foi o primeiro filme de Gilliam sem a participação de nenhum membro do Monty Python e, como tal, pode ser visto como uma declaração de independência. É visível a cautela do diretor nessa obra. Seus impulsos criativos, que normalmente resultam em longas sequências oníricas e roteiros surreais, são aqui mais moderados. O resultado é uma comédia mais acessível, sobretudo para aqueles avessos ao estilo bastante particular deste diretor. Por outro lado, seu instinto para a comédia está intacto: posso contar nos dedos os filmes que me fizeram chorar de rir. Esse é um deles. Por fim, é curioso como a visão de mundo deste filme, lançado em 1991, já está completamente defasada. Isso fica evidente no tratamento dado ao relacionamento entre Jack e sua namorada, assim como a reação de Lydia quando Parry revela que a observa todos os dias – o que alguns veriam hoje como um comportamento abusivo é retratado como algo romântico. Seja pela doçura do enredo ou pelas risadas que proporciona, O Pescador de Ilusões é a perfeita introdução à obra de Terry Gilliam.

Por Henrique Fanini Leite

1 Comentário

  1. Armando Sérgio de Souza fala: Responder

    Gostei.

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