O Messias

Cidade

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Flash! A cena em profecia: sete cãezinhos iguais latiram, andaram, sentaram e deram salto mortal. Depois recomeçaram incansáveis, piscando luzes em cor-de-rosa e verde-limão. De brinde, a pilha que brincou na praça o dia todo. Alguns se estatelavam no chão duro, com as patas mecânicas andando em vão. O rapaz, boné, óculos, pantufa, recompunha-os sobre o tecido vermelho. Na cidade há também cavalinhos, grilos saltitantes, molas malucas. Qualquer coisa que pula sozinha. Tudo que se pode querer. Há miniaturas ilegíveis da Bíblia por um e nove nove, também dinossauros de brinquedo feitos mesmo de dinossauros. Há o homenzinho que saltita ao som de palmas, um mistério, nunca comprei. O boneco que gruda no vidro. O boneco que desce o vidro. O boneco que sobe o vidro. O boneco que não faz absolutamente nada, e então você pode inventar o que quiser com ele. Pode ordenar num grande outdoor que ele lata, ande, sente. Que dê um mortal, que seja um mero mortal, que fuja esperançoso da morte, que morra escravo. Que sinta o peso do desejo com suas mil etiquetas de desconto. Há também o velho que não desce, sobe ou dança. Apenas envolve a árvore com os braços e grita ajuda eu, miudinho! Mas esse é triste e pouco interessante.

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Por Nanna Ajzental

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