O Homem de Palha

Este peculiar clássico do cinema britânico trilhou um caminho bastante improvável. O projeto nasceu de um trabalho conjunto entre o ator Christopher Lee, o roteirista Antony Shaffer, o diretor Robin Hardy e o produtor Peter Snell. A intenção inicial era fazer uma adaptação para o cinema do romance “Ritual,” de David Pinner, mas a obra final desviou consideravelmente da narrativa em que se inspirou. Lançado no final de 1973, o filme foi bem recebido, mas não causou grande impacto. Mais de três anos depois, em 1977, uma reportagem na revista americana Cinefantastique tirou a obra do esquecimento e rendeu-lhe status cult.

O policial devoto Neil Howie viaja até uma ilha no remoto arquipélago das Hébridas Escocesas para investigar o desaparecimento de uma garota local, após receber uma carta anônima relatando o ocorrido. Howie encontra forte resistência dos moradores, que se recusam até mesmo a reconhecer a existência da menina. Para horror do policial, esta resistência mostra-se justificada: a população da ilha pratica uma religião pagã, com rituais de amor livre e sacrifício. Temendo o pior, Howie precisa determinar o paradeiro da garota antes do festival de verão.

O Homem de Palha é hoje reconhecido como um dos maiores filmes de terror do cinema britânico. O final, sobretudo, é reconhecido por suas qualidades narrativas e cinematográficas. A trilha sonora, de Paul Giovanni, recebe destaque na obra, as vezes aproximando-a de um musical. Esta é uma marca de estilo comum do “cinema de arte” do período, quem sabe um reflexo do papel central da música nos movimentos culturais da época. Para os cinéfilos, apresenta um interessante contraste com a estética minimalista das trilhas sonoras atuais. Por fim, embora seja classificado como um filme de terror, O Homem de Palha não se vale dos tradicionais artifícios do gênero, preferindo uma narrativa psicológica e surpreendente.

Por Henrique Fanini Leite

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