O Grande Lebowski

Embalado pelo sucesso de Fargo, havia grande expectativa para O Grande Lebowski, lançado em 1998. Para quem conhece as duas obras, é fácil imaginar a perplexidade da audiência no dia da estreia. Sendo ambas obras de crime/comédia, é difícil imaginar duas abordagens mais distintas. Apesar das diferenças, O Grande Lebowski desfruta hoje de um nível de reconhecimento comparável ao de seu predecessor. O filme tornou-se um fenômeno cult de proporções enormes e é uma das obras mais conhecidas dos diretores.

Jeff Lebowski é um vagabundo. Sua vida se resume a tomar White Russians e jogar boliche com seus dois amigos, Donny e Walter. Uma noite, bandidos invadem sua casa, o agridem e urinam em seu tapete, alegando que sua esposa, Bunny, está devendo dinheiro. Jeff não tem esposa, mas descobre que tem um xará: um milionário idoso que, mesmo assim, se recusa a pagar pelo tapete. Quando Bunny é sequestrada, o milionário pede ajuda ao vagabundo, o único capaz de reconhecer os criminosos.

Dado o nível de idolatria por parte de alguns fãs de O Grande Lebowski – duas espécies de aranhas (Anelosimus biglebowski e Anelosimus dude), um gênero extinto de coníferas (Lebowskia grandifolia) e um festival anual homenageiam o filme – pode parecer surpreendente que a recepção da obra tenha sido mista originalmente, e a bilheteria, aquém do esperado. Este é um filme que envelheceu bem, um exemplo da capacidade dos irmãos Cohen de criar personagens memoráveis, trazidos a vida por atuações igualmente notáveis. Como tudo capaz de despertar adoração, O Grande Lebowski também é capaz de despertar ódio, seja pelo enredo confuso (e, francamente, irrelevante), ou pela cinematografia exuberante. Sobre esta última, é importante destacar: da tomada de dentro de uma bola de boliche até as alucinações de Lebowski, as cenas transbordam talento. Há quem veja nisso um certo exibicionismo. Há quem veja genialidade.

Por Henrique Fanini Leite

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