O Clube dos Cinco

Os filmes de John Hughes são a quintessência da High-School americana, com seus valentões e patricinhas. Entre os anos de 1984 e 1987, Hughes escreveu, dirigiu, produziu ou atuou em cinco filmes com temática adolescente. Se hoje filmes desse tipo têm a profundidade de um pires, as obras de Hughes são delicadas e inteligentes. As cinco produções foram bem-recebidas pela crítica, mas O Clube dos Cinco se tornou um clássico, lançando os cinco integrantes principais do elenco ao estrelato. Em perspectiva, o sucesso explosivo não foi bom para os atores: todos acabaram se envolvendo em escândalos ou tendo problemas com abuso de substâncias. Apenas Demi Moore viria a ter uma carreira a altura do sucesso inicial.

Praticamente toda a narrativa se passa em uma sala de aula, onde cinco alunos precisam passar um sábado inteiro em detenção. A tarefa consiste em escrever uma redação sobre “Quem eu acho que sou”. A resposta parece simples: cada um segue o estilo de uma das principais “tribos” da época: a patricinha, o nerd, o delinquente, o esportista e a rebelde. Todos presos no mesmo lugar, acabam conversando e, aos poucos, os estereótipos são desconstruídos. Ao final, verão que, antes daquele dia, teria sido impossível responder ao tema da redação.

Em O Clube dos Cinco, Hughes mantém um equilíbrio entre comédia inconsequente e desenvolvimento dos personagens, evitando, por um lado, que a obra se torne um besteirol e, por outro, puro angst adolescente. Considerando a rápida evolução dos padrões de comportamento nas escolas – e que as escolas brasileiras nunca foram assim tão parecidas com as americanas -, os tipos representados no filme já estão ultrapassados. Os problemas que eles enfrentam não; esses ainda são exatamente os mesmos. O que faz desse filme uma grande obra é a capacidade de transmitir essas inseguranças, mas não como faria um adulto, vemos tudo isso sob a ótica dos adolescentes. Assistindo àqueles jovens, lembramos de nós mesmos, tão distantes em tempo e em costumes, mas por trás das máscaras somos todos iguais.

Por Henrique Fanini Leite

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