O Beijo da Mulher Aranha

Nascido na Argentina, mas com boa parte da carreira no Brasil, Hector Babenco teve papel importante no cinema nacional das décadas de oitenta e noventa, nos deixando filmes como Pixote: A Lei do Mais Fraco e Carandiru. Se não é a mais aclamada de suas obras, O Beijo da Mulher Aranha é provavelmente a mais conhecida. Para nós, brasileiros, é interessante observar nomes como Sônia Braga e Milton Gonçalves atuando em inglês e contracenando com atores americanos. Para uma audiência internacional, o filme se destacou sobretudo pela performance de Willian Hurt, que lhe rendeu o prêmio de Cannes de melhor ator, assim como o Oscar e o BAFTA na mesma categoria.

A narrativa começa em uma cela de prisão, em algum país da América do Sul. Escutamos uma história melodramática, cheia de clichês visivelmente retirados de filmes de Hollywood. Quem narra é Luis, um homossexual colorido, alegre e afetado. Luis foi preso por conduta sexual inapropriada, mas divide cela com um prisioneiro político, Valentim. Apesar do aparente desprezo de seu companheiro, Luis continua com suas histórias. Por boa parte do filme, imaginamos que a narrativa se concentra nas personalidades díspares dos colegas de cela, e em como a convivência forçada faz surgir uma improvável amizade. De fato, isso é parte da história, mas a trama vai muito além das aparências.

O Beijo da Mulher Aranha é um filme notável em vários sentidos, a começar pelas atuações e talvez ainda mais pela interessante mistura de nacionalidades. Aqueles mais versados na língua inglesa notarão o sotaque carregado dos atores brasileiros. Sônia Braga, nesse que foi seu primeiro papel em outra língua, admitiu não saber o que significavam diversas de suas falas. Por interpretar personagens em grande parte estereotipados, o sotaque não pega mal. A narrativa demora para se desenvolver, e é fundamental a boa química entre os dois personagens principais. A amizade dos dois é convincente, mas o filme não descansa nos louros: reviravoltas no enredo adicionam uma inesperada carga dramática ao que já era uma boa obra, fazendo deste um filme de ideias e também emoções.

Por Henrique Fanini Leite

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