O Barco – Inferno no Mar (Das Boot)

Baseado no livro homônimo de Lothar-Günther Buchheim, que trabalhou como correspondente de guerra no U-boat U-96 durante a segunda guerra mundial, Das Boot é considerado um dos melhores filmes do cinema alemão. Num testemunho da aclamação da crítica, foi nomeado para seis prêmios da academia americana de cinema. Para um filme em língua estrangeira, uma façanha quase tão improvável quanto a jornada que retrata.

Em Outubro de 1941, a guerra ainda está longe do fim. O correspondente de guerra Tenente Werner recebe a missão de acompanhar uma patrulha de um submarino de ataque alemão, cuja missão é destruir navios mercantes aliados no atlântico norte. As primeiras semanas são bem sucedidas, mas a moral sofre com a tensão das batalhas. Com o natal se aproximando, recebem ordens de cruzar o estreito de Gibraltar, uma das bases mais bem guardadas da marinha britânica.

Wolfgang Petersen, o diretor, é um notório perfeccionista. Em Das Boot, isso se traduz em um realismo impressionante. Não só os cenários são réplicas perfeitas do submarino alemão, mas os costumes dos marinheiros, os efeitos psicológicos do ambiente claustrofóbico, as ideologias (ou a falta delas) – todos estes aspectos encontram respaldo histórico. É impossível evitar referências ao nazismo num filme desse gênero, mas a obra procura se distanciar da discussão ideológica, embora o final certamente contenha uma afirmação política. Além da trilha sonora, elemento clássico em filmes de submarinos, outra técnica empregada para transmitir a tensão dos tripulantes é a fotografia muito próxima, para a qual foram utilizadas câmeras de mão. Devido à péssima acústica dos cenários, o filme foi gravado sem som, tendo sido dublado posteriormente. Por essa razão, a versão considerada definitiva é a legendada, apenas com trilha sonora.

Henrique Fanini Leite

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