Nueve Reinas

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Em muitos filmes de assalto, no estilo de Onze Homens e um Segredo, admite-se uma pequena incongruência em benefício de um roteiro mais palatável: ainda que dispostos a enganar qualquer pessoa em benefício próprio, parece haver total confiança entre aqueles organizando o grande roubo. É justamente este paradoxo o tema central de Nueve Reinas, primeiro longa-metragem do diretor argentino Fabián Bielinsky.

Marcos é um vigarista do pior tipo: em uma das passagens mais marcantes do filme, ele convence a própria irmã a se prostituir para garantir o sucesso do mais ambicioso de seus esquemas: a venda de um conjunto de selos falsificados para um empresário prestes a deixar o país. Seu parceiro, Juan, dificilmente poderia ser mais diferente. Ainda que ele próprio um vigarista, é por uma causa nobre que ele desempenha esse papel. Por acaso, Marcos presencia um golpe de Juan dar errado e o salva, fingindo ser um oficial de polícia. Apesar de certo atrito, eles decidem trabalhar juntos pelo resto do dia. Quando um velho conhecido lhes apresenta uma oportunidade inacreditável, os dois criminosos acabam forçados a se tornarem parceiros.

Nueve Reinas consegue ser ao mesmo tempo inteligente e acessível, com destaque para o relacionamento dos dois personagens principais. A trama desenrola-se de forma natural, e em nenhum momento há aquela sensação de artificialidade, comum nesse gênero (a famosa “fria”). O foco não é em esquemas mirabolantes, efeitos especiais ou cenas de ação, mas na necessidade de trabalhar com alguém em que não se pode confiar. Ambos os personagens sabem que, se deixarem qualquer brecha, serão roubados pelo outro. As reviravoltas da narrativa, várias, concentram-se no final, com um desfecho surpreendente, mas plausível.

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