Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

A carreira de Woody Allen se estende por mais de seis décadas. O diretor começou como escritor de comédia, especializado em histórias curtas e roteiro. Passou então ao stand-up, onde desenvolveu a persona que assume na maioria de seus filmes, e então ao cinema. Seus primeiros filmes, apesar do sucesso de público, eram pastelões, com pouco mérito artístico. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa foi o primeiro a apresentar a delicadeza e profundidade existencialista que o tornaram um dos diretores mais aclamados da história. A obra venceu quatro Oscar, incluindo melhor filme, melhor diretor e melhor atriz.

Possivelmente autobiográfico, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, trata do relacionamento entre Alvy Singer, interpretado por Allen, e Annie Hall, interpretada por Diane Keaton. Keaton e Allen tinham um relacionamento na época. A história é narrada do ponto de vista de Alvy, que tenta compreender por que o romance deu errado. A narrativa passa por diversos episódios da vida do casal, incluindo o primeiro encontro, momentos mundanos, sessões em terapeutas e os eventos que levaram à derrocada do relacionamento.

É evidente a influência do cinema europeu em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Allen, é claro, adiciona características tipicamente americanas, resultando num filme mais fácil, mas ainda assim com conteúdo. Em vários momentos, a barreira entre personagem e audiência se quebra, com diversas falas direcionadas ao espectador. O caráter autorreferente do filme induz um humor reflexivo, em que as piadas e a ironia servem como pontos de partida para conjecturas pessoais a respeito dos temas abordados. Embora o filme jamais seja tedioso, é possível perder-se em pensamentos ao assistir, dada a facilidade com que nos identificamos com os personagens. Isso não ocorre pela presença de personagens genéricos – pelo contrário, eles são profundos, cheios de neuroses, opiniões e vaidades – e se cada um experimenta o amor de forma variada, ainda assim podemos identificar em qualquer um a essência universal do sentimento, indescritível, mas óbvio quando presente.

Por Henrique Fanini Leite

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