Na Mira do Chefe

Martin McDonagh tornou-se mundialmente famoso com Três Anúncios Para um Crime, mas já demonstrava potencial em seu longa de estreia, Na Mira do Chefe. Apesar de independente, a produção contava com um respeitável orçamento de quinze milhões de dólares, investidos sobretudo no elenco. A escolha foi um sucesso: além das quarenta e quatro nomeações para diversos prêmios de cinema, Na Mira do Chefe é considerado um divisor de águas na carreira de Colin Farrell.

Ray, um assassino de aluguel, acaba matando uma criança ao tentar executar um padre durante a confissão. Diante do fracasso, é enviado para Bruges, na Bélgica, junto com seu parceiro Ken. Ali, os dois devem aguardar ordens de Harry, o chefe. Ken, experiente, procura não chamar atenção, agindo como faria um turista qualquer. O criminoso enxerga Ray de forma quase paternal. É visível que pretende evitar que o parceiro perca a razão por conta do passado. Mesmo assim, Ray acaba se envolvendo em brigas com turistas e criminosos locais. Quando Ken finalmente fica sabendo de sua nova missão, verá que ter se aproximado de Ken foi um erro.

Na Mira do Chefe é uma mistura de filme de ação com comédia. No humor negro e nas inúmeras reviravoltas do enredo, o filme se aproxima de obras como Snatch e Rock’n Rolla. As semelhanças, no entanto, são apenas superficiais. Na Mira do Chefe é centrado em poucos personagens, e é isso que dá um caráter único a obra. As performances da dupla principal, Colin Farrell e Brendan Gleeson, são excepcionais, o que permite a McDonagh dar profundidade dramática a um roteiro bem costurado, mas relativamente raso. O resultado é uma obra que mantém as principais características de um filme de gângster, mas consegue abordar aspectos psicológicos e sentimentais dos personagens, tornando-os muito mais que as caricaturas engraçadas típicas do gênero.

Por Henrique Fanini Leite

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