A Música Nunca Parou

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Baseado no ensaio The Last Hippie, do neurologista americano Oliver Sacks, A Música Nunca Parou conta a história de Gabriel, um jovem que, como muitos da geração nascida nos anos 50, revoltou-se contra o estilo de vida de seus pais e foi em busca de um propósito maior. O que aconteceu durante essa jornada não nos é informado: a história inicia vinte anos depois, quando Gabriel aparece em um hospital, incapaz de formar novas memórias devido às sequelas de um tumor cerebral.

Sobre esse enredo, sobrepõem-se diversos temas, que interagem entre si para formar um painel do conflito geracional da época, tanto em um plano político/ideológico como em um plano interpessoal (no caso, a relação pai e filho). Embora haja (como em quase todos os filmes americanos) uma tendência favorável aos ideais da “geração paz e amor”, Jim Kohlberg faz um bom trabalho em demonstrar como, muito mais que diferenças no plano das ideias, é a falta de empatia de ambas as partes que leva ao desentendimento.

Empatia, aliás, é a palavra chave da obra. Vendo seu filho retornar de forma tão inesperada, mas efetivamente incapaz de interagir, seus pais são forçados a procurar novas formas de comunicação. Aqui, apresenta-se outro personagem chave, a musicoterapeuta Diane Daley. Escutando determinadas músicas, Gabriel é capaz de acessar memórias perdidas e, de certa forma, volta a ser o mesmo adolescente revoltoso que fugiu de casa, preservado em um corpo vinte anos mais velho. Através destas músicas, pai e filho conseguem se conectar novamente, revivendo os acontecimentos que levaram o garoto a fugir de casa (mostrados em flashbacks) e, finalmente, encontrando um no outro apoio e amor.

A Música Nunca Parou não é particularmente focado em aspectos artísticos, com direção e roteiro pouco inovadores. A performance de J.K. Simmons e a excelente trilha sonora (para quem gosta de músicas dos anos 60) são pontos de destaque. Apesar de bastante emotivo, o filme não se vale de artifícios – o próprio enredo tem forte apelo emocional. Somado a tudo isso, há um interesse informativo na história, já que baseada em fatos reais. No geral, é um grande filme, sobretudo para aqueles interessados nos temas que aborda.

Por Henrique Fanini Leite

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