Maya Angelou

Uma vida extraordinária. Esta é apenas uma das coisas que se pode dizer de Maya Angelou.

Marguerite Annie Johnson nasceu em 4 de abril de 1928 em St.Louis, Missouri. Após a separação de seus pais, ela e o irmão moraram com a avó paterna por aproximadamente quatro anos no estado de Arkansas, até voltarem a viver com a mãe. Aos oito anos, Maya foi estuprada pelo namorado dela; pelo crime, ele ficou apenas um dia preso e foi assassinado provavelmente por familiares. Acreditando que sua voz o havia matado por ter dito seu nome, ela permaneceu muda por cinco anos. Neste período, morando novamente com a avó, Maya tomou conhecimento de diversos autores de literatura, bem como artistas feministas negras.

Já durante a Segunda Guerra, ela foi a primeira mulher negra a trabalhar como condutora de bondes em São Francisco; quando seu filho nasceu, sustentou-o trabalhando como prostituta. Na década de 1950, estudou dança e teatro e apresentou-se em mais de 22 países da Europa além de shows na Broadway.

Ativista de direitos humanos, trabalhou com Martin Luther King, conheceu Nelson Mandela e Malcom X, morou e trabalhou na África. Em meados de 1960, escreve o primeiro volume de sua biografia; por esta obra, foi indicada ao National Book Award de 1974. Na década seguinte, atua em filmes, escreve roteiros para a televisão e cinema, chefia comissões culturais do governo. Em 1981, torna-se professora da Universidade de Wake Forest na Carolina do Norte.

Na década de 1990, recitou um poema na cerimônia de posse de Bill Clinton e pelo feito, ganhou um prêmio Grammy; estreou como diretora de cinema em 1998 com o filme “Down in the Delta”. Escreveu livros infantis, ensaios, artigos, contos e ainda apresentava um programa de rádio com apoio da amiga Oprah Winfrey.

Sua última publicação foi em 2013, aos 85 anos. Em 28 de maio de 2014, Maya ainda trabalhava em mais uma obra, quando veio a falecer. Uma das mais respeitadas vozes na defesa dos direitos dos negros e das mulheres.

RIEM OS MAIS VELHOS

Eles gastaram já sua
cota de risinhos,
segurando os lábios assim
e assado, ondulando
as linhas entre
as sobrancelhas. Os mais velhos
deixam que as barrigas chacoalhem como lentos
pandeiros.
Gargalhadas
sobem e se derramam
como quiserem.
Quando riem os mais velhos, eles libertam o mundo.
Viram-se devagar, com o saber malicioso
do que há de melhor e pior
da lembrança.
Reluz saliva nos
cantos das suas bocas,
as cabeças saltam
dos pescoços frágeis, mas têm
os colos
cheios de memórias.
Quando riem os mais velhos, eles consideram a promessa
da morte, querida e indolor, e generosos
perdoam a vida por ter-lhes
ocorrido.

Mariana B. Cavariani

Gostou? Deixe seu comentário!