Match Point

No inicio dos anos 2000, críticos chegaram a declarar morta a carreira de Woody Allen. O filme mais caro da história de sua carreira, O Escorpião de Jade, foi um fracasso de bilheteria e de crítica, seguido por mais três fracassos absolutos. Forçado a ir ao exterior em busca de financiamento, Allen teve de adaptar Match Point para uma ambientação britânica por exigência da BBC. A aposta deu certo: Match Point é uma das obras mais bem-sucedidas da carreira do diretor, que a considera melhor do que clássicos como Annie Hall ou Hannah e Suas Irmãs.

O enredo é um triângulo amoroso clássico. Chris Wilton é um jogador de tênis fracassado, que abandonou a carreira para tornar-se treinador em um clube de alta classe em Londres. Wilton faz amizade com um de seus alunos, Tom Hewett, filho de um investidor milionário. Tom o introduz aos círculos sociais dos grandes banqueiros londrinos e o tenista acaba se envolvendo com Chloe, irmã de Tom. Aos poucos, Wilton se envolve completamente com os negócios da família, mas um romance imponderado com Nola, namorada de Tom, colocará tudo a perder.

O filme dialoga fortemente com Crime e Castigo, de Dostoiévski, abordando temas como o arbítrio, culpa e a moral. Nesse sentido, Allen faz um contraponto: se Raskolnikov é consumido pela culpa e depois encontra redenção no amor e em Deus, para Allen não existe nem culpa nem amor, nem Deus. A Wilton não é apresentado nenhum caminho virtuoso: a escolha é entre a luxúria e a avareza. E o personagem escolhe ambos. Tom e Chloe não se dão conta da natureza daqueles que os cercam. Em nome de sua riqueza, cometem-se atos atrozes, sem que eles sequer percebam. A obra se esforça em retratar o papel de eventos aleatórios no destino de todos, e é assim, no voo de uma moeda, que se definem seus destinos.

Por Henrique Fanini Leite

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