Maria Firmino dos Reis

 

Maria Firmino dos Reis nasceu em São Luís do Maranhão em 11 de outubro de 1825. Negra, foi registrada com o nome de outro homem, uma vez que era fruto de relacionamento não oficial entre sua mãe branca e o pai, negro. Aos cinco anos, muda-se para a casa de uma tia, com melhor condição econômica, em São José de Guimarães e ali tem contato com outras referências culturais através de familiares, como o primo Sotero do Reis, conhecido gramático da época.

Com 22 anos, torna-se a primeira mulher a ser aprovada em concurso público no estado do Maranhão para professora do Ensino Primário. Com seu salário, sustentava-se e morava sozinha, o que naquela época não era fato comum, mas ao contrário, mal visto. Além disso, ela já mostrava sua opinião antiescravista, posicionamento que, no entanto, não podia divulgar amplamente; apenas com o passar dos anos, pode publicar seu primeiro livro “Úrsula”, em 1859, graças à estabilidade e respeito que conseguiu com o cargo de professora, tornando-se a primeira romancista brasileira.

Nesta obra, considerada a primeira antiescravagista, apesar dos protagonistas serem um casal branco, Maria Firmino desenvolve e dá voz aos personagens negros, colocando-os em igualdade com os demais, deixando que eles contem suas próprias histórias, ao contrário de outros textos abolicionistas da mesma época e adiantando características que seriam vistas apenas posteriormente. No entanto, ainda que tivesse abertura nos jornais da época, ela publicou apenas mais um romance, “Gupeva”, em 1862 e em 1887, o conto “A Escrava”, quando o tema da escravidão já era mais discutido no país e ela pode demonstrar com mais ênfase seu posicionamento sobre o tema. Provavelmente devido a isso e pelo fato de ser mulher, sua obra caiu no esquecimento.

Aos 55 anos, ela abriu uma escola mista, fechada apenas dois anos depois, tal o escândalo que provocou na cidade. Publicou ainda um livro de contos em 1887, compôs em 1888 a música “Hino da Libertação dos Escravos” e fazia um trabalho de resgate e preservação de canções e tradições populares.

Maria Firmino morreu em 1917, sem ter sua obra divulgada. Apenas em 1962, o historiador paraibano Horácio de Almeida encontrou “Úrsula” em um sebo no Rio de Janeiro e a partir daí, o livro foi relançado. Ainda assim, sua vida e obra são pouco estudadas e até seu verdadeiro rosto é desconhecido. Este é parte do prefácio de “Úrsula”:

“Mesquinho e humilde é este livro que vos apresento, leitor. Sei que passará entre o indiferentismo glacial de uns e o riso mofador de outros, e ainda assim dou à lume. (…) Sei que pouco vale esse romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem trato e a conversação dos homens ilustrados”.

1 Comentário

  1. Belíssimo e importante trabalho revelado, Grato!

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