Mapas Velhos

Poesia de Quinta por Lucas Tumiski

O pecado do vento é ser faca
o recado do tempo transpassa
meu sopro apaga a vela
do navegar impreciso
com o olhar quebrado
em milhares de cacos do espelho
corto as algemas que me atam os pulsos
longos cabelos vermelhos ardem nas veias
e como se dançasse no escuro
rasgo a carne de meu demiurgo
com as garras dos pontos cardeais.

Sou predador
rei da minha selva doméstica
um selvagem mastigando vidro e sangue adocicado
como um touro, arremesso músculos e fúria
contra a luz vermelha dos semáforos.

Os sinais estão fechados e eu galopo como um centauro de ferro
na contramão do futuro
estouro a minha boiada
e esmago o boiadeiro
piso no gramado inundado de penas derretidas
para cheirar a rosa dos ventos
e mastigo mapas velhos
degustando o sabor de estradas que já não existem mais.

 

Lucas Tumiski é paranaense de Quedas do Iguaçu. Suas influências vão de autores beat como Jack Kerouac e Lawrence Ferlinghetti a Arthur Rimbaud, Bob Dylan e Belchior e os comparsas, poetas da sua cidade, Jairo Pereira e Solivan Brugnara. Com exemplar irresponsabilidade, escreve sobre o que vê e sente, com o devido descuido de esconder o que é inventado e o que é mentira. Publicou poemas na Antologia Lua Única, de 2013 pela editora Coluna do Saber e em 2017 foi publicado seu livro de poemas, Inconclusões, pela Editora Berzon.

1 Comentário

  1. Sérgio Souza fala: Responder

    Excepcional! Que bom quando a gente pode acompanhar aventuras assim pelo incomum!

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