A Forma Da Água

Seja dirigindo grandes produções comerciais em língua inglesa ou filmes mais artísticos em espanhol, Guillermo del Toro tem um estilo facilmente reconhecível. Em A Forma Da Água, del Toro cria uma obra ao mesmo tempo lírica e com apelo comercial, comparável talvez ao grandioso O Labirinto do Fauno.

Na década de sessenta, Eliza Esposito trabalha como faxineira em uma instalação militar do governo estadunidense. Mirrada, muda e sonhadora, Eliza tem uma vida feliz, ainda que pautada em poucos amigos: sua colega de trabalho Zelda Delilah e seu vizinho Giles, um artista de cartazes publicitários sofrendo com a concorrência da fotografia. Com a chegada de uma criatura aquática no laboratório, Eliza descobrirá que nem em nossos sonhos mais loucos conseguimos prever as peripécias inspiradas por amor.

A Forma Da Água é um filme alegórico. Há, é claro, o apelo emotivo do enredo, a nada original luta de um casal incompreendido contra as forças da sociedade – aqui personificada no cômico Richard Strickland -, mas isso é apenas o esqueleto de uma obra com muitas qualidades. Del Toro parece fazer troça com o enfoque na originalidade: não só a narrativa é comum, como cada um dos personagens parece vir de alguma convenção de gênero. Há algo de filmes de super herói, de filmes de espião, drama, romance, comédia, fantasia. Cada elemento lembra algum filme que já vimos. Lembra, mas não é. Misturando os clichês e tecendo o enredo com bons diálogos muito bem interpretados, o diretor cria uma obra para além dos gêneros que a inspiram. Personagens que facilmente poderiam ser dos mais ordinários ganham vida; pequenos dramas juntam-se a história de amor num painel em matizes azuis e esverdeadas. Um filme estranho, belo e grotesco que nos faz acreditar, por um instante que seja, que de fato a beleza está nos olhos de quem vê.

Por Henrique Fanini Leite

2 Comentários

  1. ricardoschonfelder fala: Responder

    Textasso, vou assistir e é pra já, obrigado!

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