Felizes 140

felices 140

Felizes 140 foi exibido na Mostra de Cinema Atual Espanhol, promovida pela cinemateca entre os dias 18 e 22 de Outubro. O filme foi cogitado para representar a espanha no Oscar de filme em língua estrangeira, mas não foi selecionado.

O enredo é certamente o ponto forte desta obra, mas seu caráter surpreendente dificulta a resenha. Para comemorar seu aniversário, a veterinária Elia convida um grupo de amigos para uma temporada em uma luxuosa casa de praia. Com o convívio, e sobretudo pela presença de Claudia, a nova namorada do solteirão Mário, velhos conflitos voltam a tona. O que a princípio parece ser uma comédia de costumes apoiada em clichês transforma-se num drama carregado de cinismo no decorrer de uma cena.

A direção de Gracia Querejeta não é ambiciosa, mas também não deixa a desejar. É possível fazer alguns paralelos com o estilo de Coherence, o que pode ter mais relação com a ambientação similar do que com a direção em si. A carga dramática do enredo é bem explorada pelos atores – atores de tradição latina, ressalta-se, e portanto mais expressivos que seus equivalentes anglo-saxões. A trilha sonora é igualmente dramática, pontuando os acontecimentos importantes com notas pesadas, mas deslizando para o plano de fundo quando a ação requer algo mais sutil. O humor vem sobretudo da língua afiada dos personagens, que encontram-se em conflito desde o início da narrativa. Percebe-se que são amigos justamente por isso: têm a liberdade de confrontar a hipocrisia uns dos outros. Mesmo antes da ação principal começar já existe uma tensão, algo incômodo que perpassa as interações. Bruno, sobrinho de quinze anos de Elia, atua em contraponto aos demais, com sua visão idealizada da tia. Esse relacionamento é fundamental para caracterizar o nível de degradação moral a que chegam os demais no final da trama. Acessível e surpreendente, Felizes 140 é um ótimo ponto de entrada para aqueles interessados no cinema espanhol.

Por Henrique Fanini Leite

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