Fargo

Os irmãos Cohen têm um talento particular para releituras e hibridismos. Em Fargo, os diretores/produtores/roteiristas misturam uma brutal história de crime com humor, desafiando classificações de gênero. Ao mesmo tempo, a fotografia desoladora chega a lembrar vagamente o cinema russo e clássicos de velho oeste. A nota inicial, indicando tratar-se de uma história real, adiciona ainda um caráter trágico e de perplexidade à obra. O filme foi recebido entusiasticamente pela crítica. Dentre suas várias premiações, destaca-se a de melhor diretor, no festival de Cannes.

Endividado, o comerciante de veículos Jerry Lundegaard acredita ter imaginado o plano perfeito: contratou dois criminosos para sequestrarem sua esposa, Jean. O dinheiro do resgate, a ser pago pelo pai de Jean, seria dividido entre o marido e os sequestradores. O plano começa a dar errado quando um policial aborda o carro dos criminosos, que o matam a tiros, juntamente com duas testemunhas. Estes são apenas os primeiros de muitos assassinatos.

Muito já se escreveu a respeito de Fargo, resultado de seu sucesso significativo. O principal destaque é a atuação de Frances McDormand, que rendeu-lhe o primeiro Oscar da carreira.  Um paralelo interessante pode ser feito com algumas obras de Quentin Tarantino, em especial Pulp Fiction. Assim como Fargo, esta obra mistura violência expressiva com humor.  Ambas têm no diálogo um dos elementos centrais, e são excelentes nesse aspecto. No entanto, é inegável que Fargo é desenhado em traços mais finos. Tarantino apoia-se fortemente na referência, muito mais preocupado com o efeito imediato de cada cena do que com o efeito conjunto do enredo. Fargo, por outro lado, é convencional em estrutura, mas desenvolve os personagens para além de suas funções imediatas, adicionando profundidade à história. O filme é também notado pelo seu uso de regionalismos e sotaque como elemento de caracterização e humor, algo que rapidamente o inseriu no imaginário popular estadunidense.

Por Henrique Fanini Leite

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