Ensaio Sobre a Estética

Ainda que não muito bem acabado, a EMA decidiu publicar esse poema por sua ousadia.


Eu gosto dos versos que rimam
A métrica muito me agrada
Sílabas em canções se somam
Num belo que não me diz nada

É o verso livre que dana.
O verso livre me fode.
Basta uma sílaba desviada pra servir de exemplo pras outras
E vai-se um exército de rebeladas.
Em meio ao transtorno me esqueço da rima e derramo minha alma em verso.

Essa alma que devia era ficar calada
Vai lá e fala, como se fosse um pranto
E como choro contido meu verso se estende
Como verso estendido meu choro se solta
E eu não gosto de poder dizer tanta coisa
Eu preciso ser escravo da norma,
Senão meu verso fica perigoso,

Já pensou se eu pudesse fazer um poema onde eu simplesmente pudesse propor minhas questões?
Já pensou se eu pudesse abordar minha vida como uma dor crua?

Ah, eu faria um verso imundo.
Um verso perverso do tamanho do mundo.
Um verso cansado cuspindo no chão apontando uma arma pra a cabeça da vida perguntando o porque do porque sim, o porque do porque não, e o porque do porque ter que perguntar por porquês e ela teria que me dizer, porque se eu pudesse escrever assim em verso livre eu nunca iria terminar de escrever as cois-

Mas eu sou um rapaz comedido.
O verso que escrevo é sempre polido.
Não escrevo nada que já não tenha lido.
Porque fazer poema é como bater punheta
Com a mão que é sua no pau do poeta
Que é bom pra cacete porque já morreu
E o sonho do vivo, não ache imoral,
É que batam punheta com a mão no seu pau
Pois por mais que este prefira boceta
É com essa punheta que ele vira imortal.

Ah, mas se eu pudesse simplesmente escrever, eu faria um verso imundo.
Um verso mundano.
Um verso profano
um verso profundo.
Como, por exemplo, um que apontasse como é ridículo escrever poesia.
Como, por exemplo, um que me lembrasse de como já soquei vida dentro de metáfora pra entender a vida e ainda não entendo porra nenhuma,
Eu escreveria um verso tão profundo quanto o sentimento que me toma sentado no sanitário, cigarro na boca, café na mão, vida pela frente, tanta coisa deixada pra trás, e o azulejo sujo parecendo esfregar um fracasso na minha cara
Um verso tão forte como o susto que me toma quando me somo e não sou nada
Eu escreveria um verso tão meu, tão meu, tão eu, que meu verso ia levantar do papel, e sair caminhando e viver minha vida…

Já pensou?

Melhor rimar abê-abê
e contar as sílabas.

Por Anderson Freixo

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