Enquanto Você Dormia

Com o natal chegando em duas semanas, muitos já estão se preparando para as inevitáveis piadas de tio, perguntas de avó e todo o resto que acompanha reuniões de família. Pensando nisso, decidi trazer um filme que agrada a um amplo espectro do público, e que talvez ajude a dissipar aquela fama de que você só sugere filmes ruins (leia-se obras primas). Enquanto Você Dormia cumpre bem esse papel, trazendo uma trama doce e bem-humorada, no que pese um roteiro convencional.

Lucy trabalha como cobradora em uma estação de metrô em Chicago. Tendo apenas um gato como companhia, alimenta fantasias a respeito de um passageiro frequente, mas com quem nunca falou. No dia de Natal, o passageiro é roubado e lançado aos trilhos, mas Lucy consegue salvá-lo. A garota acompanha o rapaz até o hospital, mas os médicos só permitem que ela veja o paciente por causa de um engano: acreditam que ela é noiva do acidentado. Em pouco tempo toda a família do rapaz – chamado Peter, agora sabemos – chega ao hospital, mas Lucy não consegue contar a verdade. O problema só piora quando ela conhece Jack, irmão da vítima, por quem começa a se apaixonar.

Aqueles mais entendidos de cinema acharão o enredo previsível, algumas situações artificiais – a fórmula das comédias românticas reciclada mais uma vez. Tudo isso não deixa de ser verdade, mas é também verdade que, dentro dessas convenções, Jon Turteltaub, o diretor, faz um trabalho excelente. Embora conscientes dos supostos defeitos da obra, é muito difícil não simpatizar com Lucy, em muito pelo charme tímido de Sandra Bullock. Talvez relutantes no começo, começamos a torcer pelo relacionamento dos protagonistas, rir com gosto das piadas. Nos vemos tão imersos na trama que, sim, o horror dos horrores: torcemos para que a protagonista faça um discurso inspirado na última cena, revelando sua identidade, mas convencendo a todos de suas boas intenções. Tudo isso acontece, e que bom que é assim.

Por Henrique Fanini Leite

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