El Cuerpo

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Embora presente desde o princípio do cinema – e muito antes disso na literatura -, depois do sucesso de filmes como Memento e Donnie Darko, o plot twist vem se popularizando. Este dispositivo narrativo, no entanto, apresenta também consideráveis riscos, uma vez que reviravoltas artificiais, desnecessárias ou mal planejadas têm o efeito único de desconectar o espectador da trama, ao invés de surpreendê-lo. Nesse sentido, El Cuerpo é um exemplo de plot twist bem executado.

O filme de Óscar Faura acompanha o detetive Jaime Peña, que investiga o desaparecimento do corpo de Mayka, que morreu em circunstâncias suspeitas, provavelmente assassinada. O principal suspeito é Alex, o marido, mas com o desenrolar da investigação, tem-se a impressão de que é a própria Mayka que o está incriminando. Com uma direção neutra, os pontos fortes do filme são um roteiro sem pontas soltas e as atuações de José Coronado, como Jaime, e Hugo Silva, como Alex. As digladiações entre os dois personagens são o conduíte da história. Embora fique claro que Alex é o culpado muito antes do desfecho, uma série de flashbacks mostrando a natureza controladora de Mayka nos permite, se não simpatizar com ele, ao menos entender suas motivações. Na melhor tradição de histórias de detetive, gênero do qual o filme não tem pretensão nenhuma de escapar, muitas das cenas se passam no necrotério ou ambientes escuros e claustrofóbicos. Pouco se vê a luz do sol.

No entanto, tão logo pensamos saber qual será o desfecho, uma nova informação altera completamente a visão que temos dos eventos. O twist, embora com um ponto questionável, é genuinamente surpreendente, e é o que torna esse filme uma ótima escolha para um sábado de chuva.

Por Henrique Fanini Leite

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