Documentos

Documentos

Caminhava com o rosto cortado pela luz. Esperando que a alma apagasse. Não queria mais saber. Nem ter conteúdo. Velho zumbi. Foi touro másculo. Fama, sim. Por um tempo. Religião? Pulava fliperamas. Não teve dinheiro. Mas comia mulher pelada, lá perto do ponto do ônibus. Hoje é velho zumbi. Nem faz força. Se lembrar pra quê? De quê? De quais coisas? Falar pra quem? Tanto faz. “É melhor não ter do que perder o que se tem.” E essa camisa do Metallica? – eu perguntei pra ele  / Sonzinho.  Enquanto atirava nas bichas loucas – ele respondeu. Na guerra. Do engolfo. Você foi lá? Fui. Lutei pela águia e as estrelas. Segurava flechas – assim. / apertou a minha mão. Louco isso – gelei. E porque você não tem grana? / Não sei. Erro de pensar no imediato. Comer mulher pelada. Aventurar. / Mas se aventurar é cristal pra caramba – eu disse. História pra contar – eu disse.  História que serve pros outros – ele disse –  Eu, acabadão. Zero aqui ó! / Tá nada. Chamei de chapa. Ele zumbi, sorriu sem dente. Nenhum dente. Orangotango refletido no ventre. No meu ventre. Sentei ele. Sentei no colo. Era atrás de uma palmeira. Era noite. Queria entrar para a história. Mesmo sem lembrança. Nada entrou. Nem subiu. É, tem gente que as unhas – só servem pra cravar frutas. Sino sem badalo. Mesmo flor contente. O coração batendo na arrogância das quinquilharias. É homem ou mulher? Não vou mostrar. Documentos…

 

Para Satanás.

Alexander Cripple, nascido em 1999 no Rio de Janeiro, prestes a concursar como cadete para (AMAN), escritor

1 Comentário

  1. Irane Castro fala: Responder

    Parabéns pelo belo conto e imagem da minha cidade.

Gostou? Deixe seu comentário!