Brazil

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Ao que tudo indica, o diretor Terry Gillian não pretendia fazer nenhuma referência ao Brasil, exceto pela música que rege este filme: Aquarela do Brasil, de Ary Barroso. Brazil, o filme, se passa em um mundo distópico semelhante a uma sátira de 1984, famosa obra de George Orwell. Assim como na obra do inglês, este mundo é governado por um sistema totalitário praticamente onisciente, que reprime qualquer forma de dissidência com censura, tortura e violência policial, todas prerrogativas do poderoso Ministério da Informação.

Sam Lowry, apesar de tudo, é feliz, em grande medida por ser completamente alienado. Um burocrata de baixo escalão do ministério, ele mora sozinho em um pequeno apartamento, de onde escapa periodicamente em devaneios. Voando, guerreiro alado, passa por sobre as construções cor de chumbo e resgata uma bela mulher das garras de um monstro.

Tudo muda quando, tentando entregar um cheque de compensação para a esposa de um homem sequestrado pelo governo, Sam encontra a mulher de seus sonhos – literalmente.

Brazil faz a façanha de abordar de forma bastante ácida o status quo e ter se mantido acima de interpretações políticas. O filme é tanto uma crítica da burocracia excessiva e completa indiferença dos governos quanto o é da sociedade de consumo. Em uma sátira cada vez mais relevante dos apetrechos que nos cercam, toda a população é dependente de máquinas que nunca funcionam como deveriam. A mensagem, que facilmente poderia se perder em lugares comuns à direita e à esquerda, torna-se pungente graças ao personagem principal: um cidadão comum, vítima de um sistema em que os opressores são os próprios oprimidos.

Por Henrique Fanini Leite

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