Crimes Temporais

Dirigido por Nacho Vigalondo e estrelando Karra Elejalde, Crimes Temporais é o longa-metragem de estreia deste diretor espanhol, conhecido no circuito europeu desde o excelente curta 7:35 de la Mañana. Um filme de baixo orçamento, foi bem recebido pela crítica por sua capacidade de retratar um enredo de ficção científica sem o uso de efeitos especiais. Nisso, se aproxima de primer, mas sem os diálogos técnicos e com maior dramaticidade.

Um casal de meia idade acaba de se mudar para um subúrbio espanhol. Descansando após alguns afazeres, Hector, o esposo, começa a observar a vizinhança com seus binóculos. O homem acaba observando uma mulher despir sua blusa em um bosque e, pouco tempo depois, aparentemente desacordada, nua. Intrigado, resolve investigar, mas acaba atacado a facadas por um homem com bandagens envolvendo o rosto. Esta é a apenas a primeira das muitas decisões de que vai se arrepender ao longo do dia.

Não se pode dizer que Crimes Temporais revolucione o subgênero de histórias sobre viagens no tempo, ou que apresente mérito artístico particularmente notável. Chega a ser, sobretudo no início, cômico pela simplicidade de roteiro e produção. Apesar disso, as atuações – muitas vezes o ponto decisivo em filmes com poucos recursos – são boas. Conforme avança a trama, nos vemos envolvidos nas ricas possibilidades narrativas criadas por paradoxos temporais, as quais são muito bem exploradas para gerar uma atmosfera de tensão e mistério. O enredo não é inovador em sua premissa básica, mas funciona bem: em muitos momentos, sentimo-nos prestes a desvendar o filme, apenas para vermos nossa teoria desmoronar com um acontecimento inesperado. O final, também surpreendente, não deixa a desejar.

Por Henrique Fanini Leite

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