Creepy

Após o sucesso de títulos como O Chamado, de Hideo Nakata, e O Grito, de Takashi Shimizu, o cinema de horror japonês tornou-se mundialmente famoso. O estilo idiossincrático dos diretores japoneses levou a diversas referências na cultura ocidental, seja em paródias ou remakes. Creepy, do peso pesado Kiyoshi Kurosawa, mostra um lado mais contido do J-Horror, mas ainda assim único. Infelizmente, o filme não foi distribuído no Brasil, mas pode ser encontrado facilmente na internet.

O enredo narra a história de Koichi Takakura, ex-detetive da polícia japonesa. Takakura decidiu abandonar a força por ter sido atacado por um psicopata ao tentar libertar um refém. Agora professor de psicologia criminal em uma universidade longe de Tóquio, o antigo policial acaba se interessando por um desaparecimento, nunca resolvido. Ao mesmo tempo, sua família tem dificuldade em se adaptar a nova vizinhança, estranhamente hostil. Conforme sua esposa trava relações com um dos vizinhos, Nishino, Takakura começa a perceber que as duas coisas podem estar relacionadas.

Diferente de obras mais conhecidas do cinema japonês, não existem monstros, demônios ou fantasmas em Creepy. Durante a primeira metade das duas horas de filme, assistimos a uma história clássica de detetive, em que o protagonista desvenda fatos cada vez mais incongruentes a respeito do caso que investiga. Praticamente não há sangue ou perseguições. Dito isso, Creepy é um filme, por falta de uma palavra melhor, horrível. Quando o vilão se revela – de forma nada surpreendente, por sinal -, somos apresentados a uma crueldade angustiante. O filme não procura explicar como o assassino faz para dominar suas vítimas, que parecem hipnotizadas. Assim, os eventos parecem não ter lógica, deixando a audiência em um estado de perplexidade e indignação. Kurosawa é magistral na forma como nos faz odiar o antagonista – desejamos sua morte com ardor, o que talvez aconteça, talvez não.

Por Henrique Fanini Leite

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